Entrevista a Emília Alvim

05-02-2026 14:44

 

A consultora imobiliária não tem dúvidas que a melhor forma de mostrar as emoções, as histórias e os detalhes de uma casa tem de ser através de uma visita com o cliente, apesar das novas tecnologias serem cada vez mais utilizadas no ramo imobiliário. Emília Alvim também aponta a sala de estar como a zona preferida dos compradores por se tratar de um espaço de convívio.

 

"Adquiri a paixão pelo imobiliário durante a terapia contra o cancro" 

 

Como nasceu a oportunidade de se tornar agente imobiliária? 

A oportunidade surgiu de forma natural, mas também muito pessoal. Durante um período em que enfrentei um cancro, vendi a minha própria casa para construir outra, e todo esse processo tornou-se uma espécie de terapia — ajudou-me a focar na vida e nos tratamentos. Foi nessa experiência que percebi que tinha uma paixão pelo imobiliário. Aprendi imenso, descobri a minha vocação e, desde então, nunca me arrependi de ter abraçado este desafio. Não foi o dinheiro que me motivou, mas sim poder juntar estratégia, análise e relação com as pessoas num mesmo trabalho. 

Quais são os critérios que nunca deixa de colocar para definir o valor de um imóvel?   

Para definir o valor de um imóvel olho sempre para fatores como localização, tipologia, áreas, estado de conservação, exposição solar e envolvente, mas fazer isso sozinha não chega. Faço sempre uma análise detalhada do que realmente foi vendido no mercado — não apenas o que está anunciado. Muitos preços estão sobrevalorizados ou refletem o “preço emocional” do proprietário. O verdadeiro valor é aquele pelo qual o imóvel se vende, e é isso que permite uma venda justa e eficaz. 

Que passos costuma efetuar para fazer a prospeção imobiliária? 

Hoje trabalho muito através das redes sociais, com marketing pessoal, posicionamento e autoridade, e tenho visto resultados consistentes. Faço também follow-up constante do mercado e das leads identificadas. Além disso, valorizo muito as referências, porque vêm da confiança que construí ao longo do tempo. Para mim, consistência e relação de confiança são essenciais para um trabalho sustentável. 

Qual é a zona da casa que tem de ficar perfeita quando é preciso aplicar o home staging?

Sem dúvida a zona social, especialmente a sala. É ali que os compradores se imaginam a viver. Em moradias, os espaços exteriores, como jardins, varandas ou terraços, também fazem diferença. Desde o confinamento, as pessoas começaram a valorizar muito mais estas áreas de convívio e lazer. 

O pagamento dos impostos afeta mais quem compra a casa ou quem a vende? 

Afeta mais quem compra, principalmente com o IMT e o imposto de selo. Mas também pode afetar os vendedores, no caso das mais-valias. É muito importante esclarecer bem os proprietários, porque o que parece um bom negócio pode transformar-se num problema se não forem tidos em conta estes impostos. Ter um consultor ao lado evita surpresas e perdas financeiras para todos. 

Defende a ideia de que só se consegue vender uma casa levando os clientes a visitá-la?   

Hoje, uma boa apresentação digital — fotos, vídeos e informação clara — já decide muito. Mas a visita continua a ser importante, principalmente para quem quer comprar para habitação própria. É dentro da casa que se sentem as emoções, as histórias e os detalhes que não aparecem online. Para os investidores, a visita pode não ser tão essencial, porque eles focam-se mais na valorização do imóvel. 

De que forma o setor imobiliário tem utilizado as novas tecnologias para se desenvolver?   

O setor tem usado marketing digital, vídeos, visitas virtuais, sistemas de gestão de clientes e análise de dados. Nos últimos anos, a inteligência artificial também começou a ajudar, principalmente na gestão de tarefas e das leads. É muito útil, mas estas ferramentas podem ter custos significativos, e nem todos os consultores as usam. Acredito que é importante evoluir e integrar estas tecnologias, sem nunca substituir o acompanhamento humano, que é essencial. 

Qual foi o maior problema que teve de resolver como agente imobiliária? 

Gerir expectativas desalinhadas é sempre um desafio. Muitas vezes, é preciso ajudar o proprietário a aceitar que o imóvel não vale o que pensava. O caso mais complicado que tive foi vender uma casa penhorada, com um comprador sem financiamento e proprietários muito pressionantes. Exigiu muita paciência, comunicação e mediação, mas acabou por se concretizar com sucesso. 

Na sua opinião uma casa onde se deve situar o coração da casa? 

Na sala e na cozinha. É onde se convive, se partilha e se vive o dia a dia. Hoje, as pessoas valorizam ainda mais estes espaços de convívio. 

Como seria a sua casa de sonho? 

Com muita luz natural, espaços funcionais, ligação ao exterior e uma atmosfera tranquila. Mais do que luxo, valorizo conforto, equilíbrio e qualidade de vida. E claro, numa boa localização — porque no imobiliário a localização é tudo. Um imóvel pode ser melhorado, mas a localização faz toda a diferença na valorização ao longo do tempo.