Entrevista a Aline Gallasch-Hall de Beuvink

18-12-2017 16:10

A docente Aline Gallasch-Hall de Beuvink decidiu lançar vários livros sobre os teatros régios em Portugal que foram objecto de estudo na tese de doutoramento. Na última obra editada desvendou os mistérios que circulam à volta da Ópera do Tejo, estando previsto o lançamento de livros relacionados com as Óperas da Ajuda e de Belém. Na entrevista notou-se uma vontade de ir mais longe. Ou seja, aproveitar a experiência adquirida para abandonar os trabalhos científicos e iniciar uma carreira como romancista. Também confessa que tem muito para aprender, apesar de já ter alguns hábitos de escritora. 

 

"O peso de escrever um livro é bem diferente do que realizar um trabalho científico"

 

Como nasceu o livro Ressuscitar a Ópera do Tejo?

Nasceu de uma tese de doutoramento sobre os teatros régios em Portugal, entre 1750 e 1793, no período dos reinados de D.José e D.Maria I. Este foi o primeiro livro, o segundo foi sobre a Ópera de Salvaterra de Magos e os próximos serão sobre a Ópera de Belém e da Ajuda.

Por que razão escolheu a Ópera do Tejo?

O primeiro livro versou sobre a Ópera do Tejo porque era, de todos, o teatro mais conhecido desta época e foram criados muitos mitos, embora só tenha dado atenção aos sete principais. O mito, a meu ver, mais interessante é aquele que diz ter a Ópera desaparecido totalmente, mas afinal ainda lá esteja o seu "esqueleto".

Que tipo de investigação realizou?

Tentei ler tudo o que foi escrito sobre o assunto, confrontar as informações recolhidas com as fontes e tentar fazer a nossa própria recolha, tirando conclusões. Tem sido um trabalho contínuo porque há sempre novos dados. Os próximos livros também vão ter como ponto de partida a tese.

Pensou escrever um romance histórico?

Após mais investigação será possível realizar um romance sobre as pequenas histórias das pessoas que utilizavam os teatros régios, mas pretendo fechar um ciclo com a edição de mais livros em 2018. Neste momento, não me considero uma escritora, já que, o peso de escrever um livro é bem diferente do que realizar um trabalho científico. Um livro para o grande público tem outra dinâmica que o produto de uma dissertação.

O que é preciso para atingir esse patamar?

Penso que falta-me maturidade na escrita e perceber se nasci para ser escritora. A minha paixão actual é a investigação histórica e a docência.

Qual é o passo mais importante para começar a escrever um livro?

O mais difícil passa por começar a colocar as nossas ideias no papel, mas se estiver acompanhada com as músicas de Mozart consigo ficar mais concentrada. O caminho da escrita é solitário porque exige concentração e um grande apoio da família. Mas é envolvente e aliciante.