Entrevista a José Ribeiro e Castro

07-03-2016 15:22

O antigo presidente do CDS-PP, José Ribeiro e Castro, falou sobre o momento do partido antes da realização do Congresso, que deverá confirmar Assunção Cristas como substituta de Paulo Portas. Na entrevista concedida ao OLHAR DIREITO antes da reunião dos centristas, o ex-deputado não acredita que a nova liderança traga mudanças favoráveis ao partido. 

 

"Seria bom haver um candidato que representasse perspectivas diferentes"

 

Quais são os desafios da próxima liderança do CDS?

A próxima liderança tem grandes desafios porque o partido vive um momento difícil. As pessoas ainda vivem a ilusão que vencemos as eleições. Os 18 deputados que temos foram obtidos em listas conjuntas. Neste momento, o valor do partido é bastante inferior do que a aparência mostra. Por exemplo, nos Açores e na Madeira baixámos a votação. O maior desafio passa por envolver o partido, o que não aconteceu com a liderança de Paulo Portas.

Por que razão não existem mais candidaturas à liderança?

Seria bom existir uma candidatura que representasse perspectivas diferentes. O facto de não haver mais candidatos é um sinal que o partido está seco. Estamos perante uma sucessão dinástica.

O partido precisa de encontrar uma doutrina própria?

É necessário fazer um debate porque tem havido um apagamento da identidade doutrinária do CDS. O partido não pode correr o risco do voto útil ir para o PSD. O modelo histórico humanista, personalista e de inspiração cristã deve ser implementado. Os novos tempos exigem uma linha de pensamento muito clara, que não se resume apenas aos temas mais fracturantes. Será necessário fazer uma reforma do Estado com pragmatismo na acção e um rumo definido. Os partidos doutrinários terão mais capacidade de se desenvolverem do que os outros.

A manutenção de Pedro Passos Coelho como líder do PSD beneficia ou prejudica o CDS até às próximas eleições?

Se o CDS optar por um caminho com menos ideologia e mais pragmatismo o eleitorado vai votar no PSD.

A direita portuguesa precisa de um Partido Liberal?

Os partidos que têm identidade própria são necessários. Seria importante o aparecimento de um partido liberal em Portugal porque têm uma corrente de pensamento própria. Os liberais deveriam ir a eleições sozinhos em vez de estarem inseridos dentro do CDS e PSD. No entanto, não são os únicos representantes da economia de mercado.